“Não se sabe para onde se vai, porque não se sabe de onde se vem”
Foi assim que o Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Teles, iniciou a sua conferência intitulada “Coruche na perspectiva de Portugal”, no passado dia 19 de Dezembro, no auditório do Museu Municipal de Coruche, em iniciativa do MIC – Movimento Independente de Cidadãos por Coruche.
Numa extraordinária palestra, que durou cerca de duas horas, o Arq. Ribeiro Teles continua a mostrar uma vitalidade fora do comum e um pensamento acutilante e esclarecido, preocupado essencialmente com o futuro, nomeadamente com a forma como actuamos sobre o território e as consequências que isso tem na vida das populações.
Ribeiro Teles, fez um enquadramento global e nacional da problemática dos espaços, para se referir a Coruche e ao corredor que enquadra os concelhos de Benavente, Coruche, Mora e Ponte de Sôr, como sendo de vital importância para o abastecimento alimentar da região da grande Lisboa.
Apontou as revisões dos Planos Directores Municipais (PDM) como fundamentais para se corrigirem erros do passado, mas referiu que estes "estão a ser feitos por pessoas sem qualificação e a possibilidade de tudo ficar pior, ainda é bem real", isto se não se tiver em conta a estrutura ecológica municipal e as reservas naturais e agrícolas, disse.
Definiu também a importância de “naturalizar” os espaços verdes e as margens dos rios, de onde salientou o Rio Sorraia, referindo que “o que lá se fez é um desastre”, sendo necessário agora “se quiserem corrigir o erro, não é preciso destruir o que se fez, mas complementar com vegetação adequada às margens dos rios, arbustiva e árvores de pequeno porte, para se criarem margens elásticas que amorteçam as forças das correntes e criem espaço de vida para os peixes se desenvolverem e a vida se estabelecer”.
Esta organização do MIC, por iniciativa do seu grupo autárquico na Assembleia Municipal de Coruche, foi a primeira de outras que se pretendem realizar, sendo que “se lamenta que todas as forças politicas e órgãos autárquicos tenham sido formalmente convidados e nenhum tenha comparecido ou se tenha feito representar, o que seria indispensável para se poder aprender com quem sabe, para ajudar a desenvolver Coruche e a região de forma integrada”, referiu Abel Matos Santos do MIC.